A Cidade do Cabo é muito comparada ao Rio de Janeiro e são consideradas cidades-irmãs. Realmente as duas são praianas, com montanhas em sua geografia, voltadas para o turismo e com uma desigualdade social a mostra em qualquer passeio que se faz por lá ou cá. Não sei se por causa do momento trágico e de abandono que o Rio atravessa ou apenas o olhar mais condescendente de quem faz turismo, achei a Cidade do Cabo alguns passos a frente da "Cidade Maravilhosa".
Para começar, eles conseguiram a fazer de sua zona portuária, conhecida como V&A WaterFront, o ponto turístico mais visitado por lá. O antigo porto da cidade está tomado por shoppings, hotéis, mercados e muitos restaurantes. O Victoria Wharf é o maior centro comercial da cidade e além dele, tem o Albert, que abriga galerias de artes, o Wellness Centre, uma simpática praça de alimentação e Craft Market, um mercado de artesanato que passa longe dos pinduricalhos que se encontram nas lojas de souvernirs.
Ainda tem a ponte móvel, que se movimenta quando alguma embarcação precisa passar pelo canal; o Torre do Relógio, um dos símbolos do local; uma roda gigante, que oferece uma visão panorâmica da região e Two Oceans Aquarium, um grande aquário com mais de 3 mil peixes recriando a vida dos oceanos Índico e Pacífico. Lá é possível encontrar tubarões, peixes, pinguins, tartarugas e dezenas de outras espécies.
Waterfront é tão rico de atrações que mesmo não estando hospedados por perto, acabamos indo e voltando várias vezes. É de lá também que parte barcos para passeios pela penísula, para visitar ilha Robben, onde Nelson Mandela e outros ativistas contra o apartheid ficaram presos E acima de tudo tem uma sensação de segurança. Serve de inspiração para que um dia a nosso Porto Maravilha chegue lá. A roda gigante carioca está prestes a ser inaugurada e o histórico prédio do Touring Club, na Praça Mauá, está sendo preparado para ser o Mercado do Porto Carioca com mais de 20 opções de restaurantes. Falando em restaurantes, experimentamos dois deles no complexo: a Baia e o FireFish, ambos quem tem como carros chefes, frutos do mar e grelhados de carne e peixe.
A Cidade do Cabo é a capital legislativa do país, onde o Parlamento Nacional e muitos escritórios do governo funcionam. No passado, foi utilizada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais como uma estação de abastecimento de navios holandeses que navegavam para a África Oriental, Índia e o Extremo Oriente. A antiga horta que servia para abastecer estes viajantes se tornou The Company's Garden. É nesta região, mais central que está o Belmond Mount Nelson Hotel, da mesma rede do Copacabana Palace. Pintado de cor-de-rosa que lembra o outro hotel aqui no Brasil, o das Cataratas do Iguaçu, foi fundado em 1918 e mantém um jardim espetacular e uma alameda de palmeiras imperiais que foram plantadas para receber o príncipe de Gales em 1925. De qualquer parte do hotel, se vislumbra o cartão-postal da cidade: a Table Mountain.
A famosa montanha que fica a 1000 metros de altura e tem um formato de mesa, cobre-se com uma toalha de nuvens quando os dias estão mais nublados. Por isso, a visita no topo depende muito do clima. E lá vem mais uma semelhança com o Rio: um bondinho leva as turistas para a cima e para baixo com duas pecularidades que não temos aqui. Primeira, o chão gira 360 graus e então de qualquer lugar que você está, terá um visão total da cidade sem ter que correr para ficar na janelinha. Segundo, além de pessoas, transporta toda a água que abastece os restaurantes e banheiros da parte de cima. No cume, observa-se toda a península que faz parte da Cidade do Cabo com paisagens naturais instragramáveis por todos os lados e vista para as badaladas praias como Clifton e Camps Bay.
Aliás, um dos hits locais é ver o nascer do sol do pico chamado Cabeça de Leão ali mesmo no Parque Nacional da Table Mountain e acompanhar o pôr do sol em Camps Bay tendo uma experiência dos dois lados do Oceano Atlântico que contorna a cidade. Ninguém bate palmas como no Arpoador, mas ver o astro rei ir embora e dar lugar a noite é um espetáculo em qualquer lugar do mundo.
Para fazer a parte litorânea de forma bem lúdica, fomos sidecar. A título de curiosidade: os sidecars são motocicletas militares originalmente utilizadas pelo Exército de Libertação dos Povos da China entre o início dos anos 1950 e meados da década de 1970. São dois passageiros mais o motorista e com ele, conhecemos Bantry Bay, Sea Point, Clifton, Camps Bay e Hout Bay, finalizando com um passeio na famosa e charmosa Chapman’s Peak. O dia ensolarado e as vistas deslumbrantes fez do passeio o ponto alto da nosso estadia na cidade.
De lá, prosseguimos de ônibus para conhecer o Cabo da Boa Esperança e o nosso guia jogou água em tudo que aprendemos na aula de geografia. Ao contrário do que se imagina, não é nem o ponto mais ao sul do continente africano e nem o ponto da divisão entre os oceanos Atlântico e Índico. os dois títulos pertencem a Cape Agulhas, um pouco mais a leste e há muitos estudiosos que dizem que não há um ponto específico para a junção do mar como conhecemos o encontro das águas do Rio Negro e Solimões, na Amazonas, mas sim uma faixa de cerca de 600km onde eles vão se fundindo aos poucos.
Enfim, isso não perde o lado pitoresco do lugar e ainda tem um belo parque natural à beira-mar. Cuidado redobrado com os baduínos que vivem por lá. Eles não tem nada dos dóceis macaquinhos do filme "Rei Leão" e um deles fez o famoso gesto de "banana", quando passamos com o ônibus. Para almoçar, a opção é o Two Oceans que tem um menu diversificado com aquela brisa vinda do mar. Finalizando a visita, conhecemos a Boulders Beach, o projeto Tamar de pinguins onde a gente pode observar essas fofurices bem de pertinho e aprender uma pouco mais sobre o ciclo de vida deles.
De volta a Cidade do Cabo, passamos ainda pelo edifício da Câmara Municipal , onde da sua varanda, Nelson Mandel fez o primeiro discurso depois de sair da prisão e conhecemos o bairro Bo-Kaap, com suas casas coloridíssimas, lembrando Olinda. Seus primeiros ocupantes foram descendentes de escravos trazidos das colônia holandesas do Sudeste Asiático, que também ficaram conhecidos como “Cape Malays” (malaios do Cabo) fazendoo com que o bairro se torna-se um o reduto muçulmano, criado no século 18, com a construção da primeira mesquita do país.
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