Aqui no Rio, é sempre muito díficil ir ao cinema. A cidade é exógena. Te chama para fora. Principalmente com o sol. Nestes dois dias de chuva, consegui ver "A Separação" e "A Música sengundo Tom Jobim". São filmes distintos, mas com uma intensidade dramática muito parecida. No primeiro, não é apenas um retrato da sociedade iraniana, mas da alma humana. Todos os personagens são tão íntegros em suas convicções, crenças, caráter que aquela nossa mania de apontar o que é certo e errado se dilui a cada cena. Quando se pensa em tomar partido de um, aparece um detalhe, um olhar, uma frase que faz ou mudar de ideia ou duvidar que o partido tomado é o melhor. O público é colocado na posição de juiz mas é tão incômodo, pois a cada 24 quadros, os personagens se mostram mais humanos: sofrem, disfarçam, mentem, refletem, se expõe, tornam a mostrar seus sentimentos, escondem novamente. Um carrossel de almas refletidas em uma câmera frenética, intensa, acusadora. A gente sai forçado por entender que não é tão simples assim viver preto no branco. Se neste filme a visão da alma humana é tão bruta, no do Tom, a mesma alma é exposta com toda a sua beleza transformada em música. Foi bom conhecer esse Tom jovem, criativo, globalizado, humano. Tudos isso só com suas canções interpretadas pelos mais diversos cantores em todas as línguas possíveis. Senti falta de João Gilberto, mas havia lido que ele não tinha liberado as suas imagens, mas não sei se pelo mesmo motivo também não apareceu Maria Bethânia. Como acho ela uma grande intérprete de Tom, deixo aqui minha contribuição ao Nelson Pereira dos Santos, diretor do lindo documentário :)
Visitar cemitérios faz parte de alguns roteiros turísticos como o Pere Lachaise em Paris que tem túmulos de pessoas famosas como Honoré de Balzac, Maria Callas, Frédéric Chopin, Eugène Delacroix, Molière, Yves Montand, Jim Morrison e Edith Piaf. Agora imagina um com mais de 5.000 tumbas datadas dos Séculos XIII ao VII a.C? Claro que não sabemos quem foi enterrado por lá, mas é uma passeio pelo pré-história visitar a Necrópole Rochosa de Pantalica. O nome deriva do grego πάνταλίθος = lugar das pedras ou do árabe buntarigah = lugar das cavernas, mostrando mais uma vez as influências na Sicília. Pantalica está localizada em um platô envolto por cânions formado pelos rios Anapo e Calcinara. Chegando lá dá para escolher duas trilhas distintas: uma mais longa e outra um pouco mais acessível. Pela Vale Anapo, a trilha tem cerca de 10km na antiga rota entre Siracusa e Vizzini. A outra é ser feita pela Sella di Filiporto, começando da região de Ferla ou, pelo outro lado, em So...
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