Aqui no Rio, é sempre muito díficil ir ao cinema. A cidade é exógena. Te chama para fora. Principalmente com o sol. Nestes dois dias de chuva, consegui ver "A Separação" e "A Música sengundo Tom Jobim". São filmes distintos, mas com uma intensidade dramática muito parecida. No primeiro, não é apenas um retrato da sociedade iraniana, mas da alma humana. Todos os personagens são tão íntegros em suas convicções, crenças, caráter que aquela nossa mania de apontar o que é certo e errado se dilui a cada cena. Quando se pensa em tomar partido de um, aparece um detalhe, um olhar, uma frase que faz ou mudar de ideia ou duvidar que o partido tomado é o melhor. O público é colocado na posição de juiz mas é tão incômodo, pois a cada 24 quadros, os personagens se mostram mais humanos: sofrem, disfarçam, mentem, refletem, se expõe, tornam a mostrar seus sentimentos, escondem novamente. Um carrossel de almas refletidas em uma câmera frenética, intensa, acusadora. A gente sai forç...
Um olhar, duas culturas e uma dose de curiosidade, observando o mundo.