Pular para o conteúdo principal

A guerra travada no Rio de Janeiro

Díficil ter uma opinião formada em um problema com tantas nuances como a questão do tráfico e dos traficantes no Rio. Díficil também não se manifestar em um momento como esse. E mais díficil ainda é lidar com esse sentimento ambígo que envolve guerra em uma País dito pacífico. Mas não tem jeito: o problema só se resolve quando se começa a encarar de frente. E é isso que a polícia está fazendo. Dando a cara para bater e, infelizmente, morrer. Já foram 49 vidas em uma semana e sabe-se  lá qual será o saldo final desta batalha. Agora com a tomada da Vila Cruzeiro, o território está delimitado. O complexo do Alemão será o nosso Haiti. A decretação da prisão dos advogados de Marcinho VP que supostamente trouxe os bilhetes que ordenavam os ataques aos ônibus que desencaderam essas ações, lembra a prática italiana conhecida como pizzini. Meu namorado me contou que foi inventada pelo o mafioso Bernardo Provenzano, que escondido por mais de 30 anos usava esse recurso para se comunicar com seus comparsas sem deixar nenhum prova do crime. Todos dizem que estamos vivendo ao vivo o Tropa de Elite 3. Que seja então. Que ajudemos a mudar o final desta história. Desde o primeiro filme, eu sempre dizia não há morro, sem zona sul. Cabe agora cada um representar o seu papel de agente deste enredo, deixando de consumir, deixando de vender, deixando de subornar, deixando de corromper, deixando de morrer. O Rio merece essa chance.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pantalica: um cemitério incrustado em rochas

Visitar cemitérios faz parte de alguns roteiros turísticos como o Pere Lachaise em Paris que tem túmulos de pessoas famosas como Honoré de Balzac,  Maria Callas, Frédéric Chopin, Eugène Delacroix, Molière, Yves Montand, Jim Morrison e  Edith Piaf. Agora imagina um com mais de 5.000 tumbas datadas dos Séculos XIII ao VII a.C? Claro que não sabemos quem foi enterrado por lá, mas é uma passeio pelo pré-história visitar a Necrópole Rochosa de Pantalica. O nome deriva do grego πάνταλίθος = lugar das pedras ou do árabe buntarigah = lugar das cavernas, mostrando mais uma vez as influências na Sicília. Pantalica está localizada em um platô envolto por cânions formado pelos rios Anapo e Calcinara. Chegando lá dá para escolher duas trilhas distintas: uma mais longa e outra um pouco mais acessível. Pela Vale Anapo, a trilha tem cerca de 10km na antiga rota entre Siracusa e Vizzini.  A outra é ser feita pela Sella di Filiporto, começando da região de Ferla ou, pelo outro lado, em So...

Positano: porquê o mundo é assim?

Falando em tecnologia e arquitetura, ao chegar em Positano e ver aquele lugar realmente especial e lindo construído sobre um morro me perguntei o tempo todo: porquê com a mesma geografia, o mesmo homem pode criar uma cidade como aquela e ao mesmo tempo as favelas no Rio de Janeiro? O que faz termos nas mesmas condições de terreno, soluções tão diferentes? Talvez seja o frio. Mas Positano está na Costiera Almafitana, na Campania, onde nem é tão frio. O tamanho pode ser a desculpa. A cidade italiana tem 8 km, bem maior que o Pavão-Pavãozinho que vejo da minha janela. Construída entre os séculos 16 e 17,  foi habitada por australianos e era até um povoado pobre até ser descoberta como ponto turístico e cenários de filmes como "Only you", "Sob o sol da Toscana", " O talentoso Mr. Ripley". Aqui, tudo é mais sem cor,  sem charme e o que aparece no cinema, são as cenas de violência. Deveríamos importar esse tipo de cultura e pensamento. Uma dica: ao chegar de car...

Ceraudo: um oásis na Calabria profunda

A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...