Pular para o conteúdo principal

Comer rezar amar

O filme do best seller de Elisabeth Gilbert estreou esse fim de semana com sessões lotadas. A que eu estava, tinha muitos casas mais velhos que, com certeza, já tinha se encantando com o livro. Julia Roberts se mostrou mais uma vez uma excelente atriz, além de uma beleza estonteante tal qual Javier Bardem - que arrancou suspiros das moças do platéia. Eu já li os dois livros de Gilbert. O último, "Comprometida", fala dos arranjos para continuar vivendo a sua história de amor com o brasileiro Felipe. Gosto muito do jeito direto, claro e divertido que ela escreve e isso foi traduzido bem no filme. No meu caso, os três verbos do título estão sendo vividos de uma só vez e no país com primeiro. A Itália realmente me proporcionou voltar as atenções para o paladar, o fio de azeite que faz toda a diferença, o manjericão fresco,  as texturas do queijo, as massas diversas, mas acima de tudo o prazer de comer que se estende a vida. Meu namorado personifica o amor pela vida, o deslumbramento pelo presente, a alegria de compartilhar e ter amigos. Rezar parece é um chamado, pois a cada rua  tem uma igreja. Aliás, antes da unificação se dizia que a Itália era formado por igrejas com cidades e isso continua até hoje. Por fim, não é necessário se estender muito no verbo amar.  O amor, como a personagem descobre no final, é o desiquilibrio do seu equilibrio, é o tempero da sua vida,  é a oração que te liga a Deus. É com ele que todas as travessias ganham sentido. Não diria que se tornam mais fáceis, porque a maioria das vezes não é, mas tem força, coragem, sentido que te faz mover, mudar, acreditar. Eu já fui enganada por um homem que chorava pelos seus filhos com faz Felipe. Isso para mim era prova de sensibilidade. Errei. Só que não me fez desisitir em acreditar no ser humano. O filme, o livro e todos os outros sinais que recebemos na vida, é um chamado a uma busca constante de bem querer. Eu passei por isso. Repito, não, fisicamente. Essa busca foi interna. Os estímulos foram outros. Para quem acha que é preciso caminhar, tem até o oficial: o caminho de Santiago. A mensagem aqui é outra. É a palavra da filme "attraversiamo".  Vamos se jogar a cada dia em uma nova experiência, em um novo amor, em um novo trabalho, em um novo paladar, em uma nova cancão. Vamos, acima de tudo, atravessar o escuro que esconde você de você mesmo. Isso ilumina tudo! Obrigada, italiano por me proporcionar isso em sua companhia!



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pantalica: um cemitério incrustado em rochas

Visitar cemitérios faz parte de alguns roteiros turísticos como o Pere Lachaise em Paris que tem túmulos de pessoas famosas como Honoré de Balzac,  Maria Callas, Frédéric Chopin, Eugène Delacroix, Molière, Yves Montand, Jim Morrison e  Edith Piaf. Agora imagina um com mais de 5.000 tumbas datadas dos Séculos XIII ao VII a.C? Claro que não sabemos quem foi enterrado por lá, mas é uma passeio pelo pré-história visitar a Necrópole Rochosa de Pantalica. O nome deriva do grego πάνταλίθος = lugar das pedras ou do árabe buntarigah = lugar das cavernas, mostrando mais uma vez as influências na Sicília. Pantalica está localizada em um platô envolto por cânions formado pelos rios Anapo e Calcinara. Chegando lá dá para escolher duas trilhas distintas: uma mais longa e outra um pouco mais acessível. Pela Vale Anapo, a trilha tem cerca de 10km na antiga rota entre Siracusa e Vizzini.  A outra é ser feita pela Sella di Filiporto, começando da região de Ferla ou, pelo outro lado, em So...

Positano: porquê o mundo é assim?

Falando em tecnologia e arquitetura, ao chegar em Positano e ver aquele lugar realmente especial e lindo construído sobre um morro me perguntei o tempo todo: porquê com a mesma geografia, o mesmo homem pode criar uma cidade como aquela e ao mesmo tempo as favelas no Rio de Janeiro? O que faz termos nas mesmas condições de terreno, soluções tão diferentes? Talvez seja o frio. Mas Positano está na Costiera Almafitana, na Campania, onde nem é tão frio. O tamanho pode ser a desculpa. A cidade italiana tem 8 km, bem maior que o Pavão-Pavãozinho que vejo da minha janela. Construída entre os séculos 16 e 17,  foi habitada por australianos e era até um povoado pobre até ser descoberta como ponto turístico e cenários de filmes como "Only you", "Sob o sol da Toscana", " O talentoso Mr. Ripley". Aqui, tudo é mais sem cor,  sem charme e o que aparece no cinema, são as cenas de violência. Deveríamos importar esse tipo de cultura e pensamento. Uma dica: ao chegar de car...

Ceraudo: um oásis na Calabria profunda

A Calabria, no sul da Itália, não é um rota turística muito comum. Para nós, brasileiros, por causa da imigração, existe uma ligação maior dado o número de habitantes desta região que veio para cá nos séculos 19 e 20. Eu mesma tenho sangue calabrês em minhas veias por parte do meu avô paterno. O valor sentimental foi reforçado pelo casamento e por ter ido tanta vezes lá, por causa dos meus sogros. Esta viagem, a "descoberta" ficou por conta da Tenuta Ceraudo , na pequena Strongoli, vizinha a Crotone, cidade onde minha sogra ficou hospitalizada e acabou falecendo. O motivo, que não era um dos mais felizes, acabou se convertando em um dia de verdadeiro oásis em meio a uma propriedade lindíssima com oliveiras e vinhedos centenários, um restaraurante estrelado e uma família acolhedora. Sim, como manda a boa tradição italiana, a alma de um lugar corresponde a de seu dono. Neste caso, o nosso anfitrião Roberto. Ele poderia ter sido apenas mais um agricultor da região ou até se torn...